Entrevistas

Éris de Melo

Publicada: 21/06/2009

Texto: Cícero Mendes

Prefeito de Telha pelo primeiro mandato, Éris de Melo (PMDB), assumiu uma enorme responsabilidade após o município ter sido atingido pelas enchentes que atingiram a região. O maior prejuízo ficou com os produtores dos perímetros irrigados administrados pela Codevasf. Com a elevação do nível do rio Jacaré, que provocou o rompimento do dique do perímetro, rizicultores e criadores de peixe perderam toda a produção, fazendo com que o prejuízo seja incalculável. A situação gerou uma mobilização não só da prefeitura, mas do próprio governador Marcelo Déda, que foi pessoalmente a Telha conferir de perto o drama das famílias. De imediato algumas ações foram tomadas e outras ainda estão sendo estudadas, como o refinanciamento dos empréstimos tomados pelos produtores. Para o prefeito, mesmo com as fortes chuvas, os prejuízos poderiam ter sido menores, caso a Codevasf, que foi alertada há dois meses, tomasse as providências que foram solicitadas. “Medidas preventivas foram solicitadas, mas, infelizmente, as solicitações não foram atendidas. Portanto, se existe algum culpado, essa “culpa” do alagamento dos perímetros irrigados é da Codevasf. Há cerca de dois meses comunicamos à companhia que poderia acontecer alagamentos no município e, mesmo assim, nenhuma providência foi tomada”, revela Éris de Melo que, nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, detalhou o que o município, junto com o governo estadual, tem feito para amenizar os prejuízos econômicos e sociais com a inundação dos perímetros.

w JORNAL DA CIDADE – Prefeito, quais as medidas que o senhor está tomando para amenizar o sofrimento da população atingida pela enchente?
Éris de Melo: Bem, há cerca de dois meses prevíamos que uma tragédia dessa proporção poderia acontecer em nosso município, principalmente nos perímetros irrigados. Por esse motivo, comunicamos o fato às autoridades competentes, a exemplo da Codevasf, para que providências urgentes viessem a ser tomadas e pudéssemos evitar tudo isso. Mas, infelizmente, isso não ocorreu, e agora estamos correndo atrás do prejuízo. Assim que tomamos conhecimento do rompimento do dique entramos em contato com o governo do Estado, Secretaria de Inclusão Social e, de imediato, foram enviados colchões, cestas básicas, cobertores, dentre outros itens. Na última terça-feira, o governador Marcelo Déda veio a Telha, conversou com os produtores e anunciou diversas medidas, assim como, elaboramos um documento com todas as reivindicações e ele assinou se comprometendo a ajudar o nosso povo.

w JC – Quais as medidas mais importantes anunciadas pelo governador?
EM – Além do envio de colchões, cobertores e outros itens, uma equipe da Defesa Civil se deslocou ao município para fazer um levantamento do estrago. Já pedimos ao governo que reconheça o Estado de Emergência decretado em Telha, para que assim possamos receber oficialmente mais ajuda do Estado e da União. Além disso, a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), através do Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária (DER), enviou máquinas e realiza serviços desde que foi acionado pelo município. A Deso também deve regularizar o abastecimento de água, até que seja possível realizar a intervenção definitiva após o escoamento das águas. Não estamos medindo esforços para amenizar o sofrimento do povo.

w JC – O município decretou situação de emergência. O Senhor acredita que os recursos do governo federal vão atender as necessidades da população?
EM – Bem, o governador Marcelo Déda nos prometeu, durante a visita na última terça-feira, que vai tentar de todas as maneiras interceder junto ao governo federal um auxílio de recursos para amenizar este sofrimento. Portanto, a partir desta verba federal é que vamos fazer algo definitivo para evitar outras tragédias desse tipo. Com isso, as necessidades da população vão ser atendidas sim e ficamos muito felizes, porque o governador não está medindo esforços para nos ajudar. É também a partir da decretação da situação de emergência que poderemos tomar todas as providências de ordem legal. A Codevasf poderá realizar a locação de bombas e equipamentos para drenagem e contratação de serviços para recompor a estrutura danificada.

w JC – A quem o senhor atribui a culpa de ter acontecido toda essa tragédia, já que não foram tomadas medidas preventivas?
EM – Pois é, medidas preventivas foram solicitadas, mas, infelizmente, as solicitações não foram atendidas. Portanto, se existe algum culpado, essa “culpa” do alagamento dos perímetros irrigados é da Codevasf. Há cerca de dois meses comunicamos à companhia que poderia acontecer alagamentos no município e, mesmo assim, nenhuma providência foi tomada. Também comunicamos o fato à Secretaria de Inclusão e Defesa Civil. De imediato, foram enviadas equipes para as devidas providências e eles também comunicaram o ocorrido à Codevasf, responsável pelos perímetros, mas a solicitação também não foi atendida. O resultado foi a perda da produção e todo o investimento. Agora, os produtores vão entrar com uma ação judicial contra a União para que os prejuízos sejam ressarcidos.

w JC – Como ficam os pagamentos dos financiamentos adquiridos pelos produtores?
EM – Através do nosso intermédio e em conversa com os produtores, solicitamos ao governador que seja tomada alguma medida neste sentido. Durante a visita, Marcelo Déda fez um contato telefônico com os superintendentes do Banese, Banco do Brasil e do Banco do Nordeste para marcar uma reunião com todos eles. O que queremos é a ampliação dos prazos, renegociação ou moratória diante da situação emergencial. Os trabalhadores estão impossibilitados de pagar temporariamente essas dívidas. Assim como ficou prometido que a Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Agrário vai distribuir 200 toneladas de sementes de arroz, com prioridade para os produtores de menor poder aquisitivo, para que eles possam realizar o plantio.
w JC – Essas medidas têm prazo para iniciar?
EM – As providências anunciadas pelo governador já foram iniciadas na sexta-feira (19), com a intervenção na pista que liga Cedro de São João a Telha como um serviço emergencial para assegurar a melhoria para o tráfego de veículos. A Secretaria de Inclusão Social vai realizar o cadastramento de todas as famílias atingidas, desabrigadas ou não, para a adoção de todas as medidas de atendimento e assistência social. Quero aproveitar o espaço para agradecer a todos os secretários e ao governador, que estão se sensibilizando com a nossa situação. Mas o bom é que está existindo uma somação de esforços para amenizar o sofrimento da população. Além disso, Déda nos deu uma boa notícia, os técnicos da Codevasf elaborarão um Plano de Trabalho Emergencial, que será submetido aos técnicos do governo do Estado, e orientará as intervenções para recompor os perímetros irrigados afetados pela inundação em Telha, Cedro de São João e Propriá.

Fonte: Jornal da Cidade

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