Geir Rodrigues

Sergipano, Geir Rodrigues é uma pessoa do tipo que gosta de conversar e tem muita história a contar. Da mudança para o sul do Brasil, - quando tinha seis anos de idade - para Ourinhos (SP) e em seguida para Londrina, o professor ainda tem recordações. A família era de Propriá, Sergipe, e teve que sair fugida do bando de Lampião. A viagem, na época de poucas estradas no interior do país, foi de navio, todo equipado, é claro, com redes de dormir.

Como pioneiro desta nova terra, o pai da família teve que começar outro emprego para sustentar os seis filhos, dos quais Geir é o quarto, consertando trens. Geir, apesar da pouca idade, lembra de como era a região de Londrina quando chegou, com muitas árvores e ícones, como o sino da igreja: um triângulo feito de trilhos de trem que está no Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss.

Geir teve a oportunidade de receber o diploma do primário pelo Colégio Mãe de Deus em 1944, apenas um ano antes do colégio passar a aceitar apenas meninas. Da época, ele ainda conserva fotos das turmas reunidas em frente às escadarias da escola. O ginásio também foi em outro tradicional colégio da época, o Vicente Rijo, que se localizava onde hoje é o Colégio Estadual Marcelino Champagnat.

Durante os últimos anos do ensino fundamental, Geir e colegas jogavam pingue-pongue no salão da Igreja Matriz de Londrina. As aulas acabavam e eles iam para lá, onde os laços com a religião católica se estreitaram até que em 1955 ele entrou para o seminário.

Foram anos de seminário. Geir cursou Filosofia e Teologia em Curitiba e foi ordenado padre. O trabalho o levou da grande São Paulo a Santa Catarina, até que, a vontade de se casar, fez com que ele saísse, embora nunca abandonasse a religião e os trabalhos. Tanto que, quando voltou a Londrina foi responsável pela missa universitária e participou do movimento religioso para construção da capela na UEL.

Quando deixou o sacerdócio, começou o ofício de professor pelo estado do Paraná. Em Marumbi lecionou Língua Portuguesa e Educação Moral e Cívica, enquanto em Arapongas e em Londrina assumiu aulas de Filosofia e de Estudos de Problemas Brasileiros no ensino superior. Para estes alunos, Geir gostava de apresentar instituições de ensino técnico, como o Ipolon, o Senai e a extinta escola técnica da empresa Carambeí. Também foi com alunos 14 vezes à Usina Hidroelétrica de Itaipú.

Pela UEL, ele relembra da participação no projeto Rondon em Limoeiro do Norte (CE): “Era uma boa experiência, os alunos cruzavam o Brasil para ir para os campi avançados.” Assim como o dia do pioneiro promovido no mês de agosto, do qual Geir foi coordenador em parceria com o Museu Histórico.

Para Geir a Universidade não era apenas sala de aula, mas um meio para se conhecer pessoas. “O que eu conheci de pessoas por meio da UEL...”, recorda. E, com certeza, parte destas o professor conheceu graças ao coral da UEL, do qual participou por 25 anos. Com o coral vieram as viagens, entre elas a apresentação - com quase 90 participantes - na sala Cecília Meirelles no Rio de Janeiro, que rendeu ao grupo o segundo lugar na classificação.

E depois de tantas histórias vividas na Universidade e carinho sentido por ela, o professor foi obrigado a se aposentar quando completou 70 anos no ano 2000. Por um tempo Geir ainda continuou lecionando em outras instituições até achar que está “esquecediço” para o ofício. Se fosse antes, ele diz com convicção, “eu continuaria sim, nós temos muitos aposentados, muitos intelectuais à deriva. No apogeu do seu conhecimento você é convidado a se retirar”.

Hoje, o professor que chegou quando a cidade começava a se formar, relembra a tranquilidade do povo em: “uma cidade pequena, mas com pessoas de coração grande.” Geir acredita que o Hino de Londrina consegue transmitir bem o que ela era. Da UEL, a grande recordação é de uma família, com todos aqueles que lutaram para a implantação da Universidade.

Ficha Técnica

Nome Completo: Geir Rodrigues da Silva

Último Local em que Atuou: Departamento de Educação - CECA

Titulação: Especialista

Natural de: Propriá - SE

Ano de Aposentadoria: 2000

Fonte: Universidade Estadual de Londrina

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