O desabafo de um poeta contra a transposição


O poeta Odilon Filho nos envia este belo cordel, demonstrando sua posição contrária à transposição de águas do Rio São Francisco.
Na verdade, o cordel é uma resposta de Odilon a um poeta que subiu no palanque do presidente Lula em Cabrobó, Sertão do São Francisco, por ocasião da visita deste ao município, no mês passado. Boa leitura!
Rio da Vida (Cordel)

Escutei de um poeta
Que o Velho Chico vai cortar,
Terras sertanejas e muita gente ajudar.
Vou lhe replicar em versos sinceros
De um jovem que acredita,
Que antes de transpor, precisa revitalizar o rio da vida!

Rio que mata a sede pode ficar na secura,
Por causa de uma obra obscura e politiqueira
A vida é muito maior que essa porqueira,
Que muitos querem se beneficiar.

Quantos jogaram pedras é um homem que apareceu do nada,
Deu risco sua vida e enfrentou uma batalha.
Levantou a bandeira da vida pra enfrentar essa guerra
Em terra que a seca inferna,
Que a botija que mata a sede.

Desse jeito até o verde que nas margens dele é rico.
Quer fazer de cimento um piso
Para água passar,
Quem já viu margens de pedra alguma planta ficar?

Como é que o coitado do jumento vai poder beber da água
Que se chegar perto da margem vai escorregar dentro d’água,
E a sede que ele iria matar
Num teve saída e no rio de cimento a se afogar.

Mas pra o Doutor Presidente lhe peço uma desculpa!
O Senhor precisa de uma lupa pra pode enxergar,
Enxergue enquanto é tempo não pense só no seu bolso
Comece a furar poço e mude essa história,
Que a vida pede tanto essa vitória.

Em obras de Deus não se mexe
Pare obra a que o povo esquece,
E tente outra solução, dê uma boa desculpa!
E ajude essa nação.

Odilon Filho

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